Crônica #18 – O dom da minha amizade

Sem meias palavras, é incrível o poder de um livro, mais ainda o poder que o mundo real exerce em um livro. Confesso que enquanto lia o “Dom da Amizade” escrito por Colen Duriez, que trata da amizade de Lewis e Tolkien, minha namorada escutou algumas vezes que o livro era chato, pois quebrara uma expectativa. Desejava ler os escritos trocados entre os dois, verificando ali a relação de sua amizade; porém o tom do livro lido foi totalmente biográfico. De modo algum o livro é ruim, mas depositei errado minhas expectativas.

O livro ganhou sentido quando recordara de uma leitura anterior, “Os Quatro Amores”, no exato momento em que Lewis fala da amizade enquanto encantamento: “você também gosta disso? Achei que era o único do mundo na qual gostasse disso!”. Lewis não colocou no papel este trecho de maneira supérflua. Lewis sabia o quanto era importante uma amizade, sendo este um verdadeiro Dom. Dom este que partilhava com Tolkien, podendo-o considerar como um de seus melhores amigos.

O livro ganhou ainda mais sentido quando lembrei dos “Dons da Minhas Amizades”. Lembrar das minhas amizades iluminou o término da leitura, fazendo-a agradabilíssima. Quando terminei a leitura, mandei uma mensagem ao dono desta coluna:

– Terminei o Dom da Amizade. Você é chato que nem o Tolkien. Tome isso como elogio.

– hahahaha e você avoado como o Lewis.

Repito, é incrível o poder de um livro, mais ainda o poder que o mundo real exerce em um livro. Quando as histórias permeiam os fatos históricos de sua vida, a vida passa a ter um novo sentido, sendo iluminada por esta literatura. Não atoa Cristo era o Verbo, que encarnou e se fez homem. Cristo verdadeiramente sabe o poder das palavras quando elas apontam a verdade.

O Dom da Amizade iluminou o recordar da minha melhor amizade. O maior ensinamento deste fato é que por ser amizade, não precisa ser medida em uma régua, para descobrir do quanto a amizade vale. Ainda mais, ela não necessita ser exclusiva, lembrando Lewis que dentro das amizades, “em cada um dos meus amigos há algo que somente outro amigo pode revelar”, sendo que os amigos em comum me fazem o conhecer ainda melhor. Amizade se ama e se contempla.

Falando em contemplar, ontem foi o casamento deste meu amigo.

Alegrei em suas alegrias. Me encantei com a simplicidade e beleza de cada momento. Me surpreendi com suas escolhas, principalmente escolhendo a cruz como norte de seu casamento, demonstrando o grande apreço que tem pelo Evangelho e pela Verdade. Festejei neste dia como em nenhum outro, pois era o seu dia. E que dia maravilhoso.

Quando foi buscar sua esposa, naqueles últimos instantes que ainda era sua noiva, entendi que meu amigo foi construído dentro desta relação, e parte do reflexo de que o conheço, foi construído pela pessoa que você ama e que agora não são mais dois, mas um só coração e uma só carne.

Ainda hoje é perceptível uma pequena vergonha nesta amizade, pois antes de falar, os olhares contemplam a grandiosidade e ao mesmo tempo a simplicidade desta amizade, rindo da vida e principalmente deles mesmos.

Diante de seu casamento meu amigo Leonardo, desejo somente uma coisa, a coisa mais cara a ti: O CÉU E O ENCONTRO ETERNO COM CRISTO. Meu desejo é com letras garrafais. Pode ler gritando esta parte, pois é o desejo do fundo do meu coração a ti e a sua esposa. Que você conquiste o Céu com toda a sua família.

Amo você meu amigo. CHE