A palavra “Céu” indica o “Lugar” das criaturas espirituais – os anjos – que estão ao redor de “Deus”. A profissão de fé do IV Concílio de Latrão afirma que Deus “criou conjuntamente, do nada, desde o início do tempo, ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre; em seguida, a criatura humana, que tem algo de ambas, por compor-se de espírito e de corpo”.
NO MISTÉRIO DO NATAL
Hoje a Virgem traz ao mundo o Eterno
E a terra oferece uma gruta ao Inacessível
Os anjos e os pastores o louvam
E os magos caminham com a estrela
Pois vós nascestes por nós, Menino, Deus Eterno.
EXPERIÊNCIA DOS ANJOS – UMA VERDADE DA FÉ
A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade da fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto à unanimidade da Tradição.
HISTÓRIA; NATUREZA e FUNÇÃO.
O IV Concílio de Latrão, do ano 1215 E.C., dedicou-se a explicar a doutrina dos anjos. O Papa Zacarias, no ano 745 E.C., rejeitou os vários nomes dos anjos, ficando somente com os nomes de Miguel, Gabriel e Rafael.
A palavra anjo vem do grego ‘aggelos’, que serviu para traduzir a palavra hebraica ‘malach’ que, significa ‘mensageiro’, e são seres celestiais criados por Deus para serem mensageiros.
CULTO
No culto prestado pelos cristãos aos anjos, o primeiro ponto a ressaltar é, mais provável, o esforço de tornar visível o invisível, dando forma corporal a esses espíritos celestes.
Lá pelo V século, começa a serem encontradas mosaicas pinturas ou esculturas de anjos. A partir do século VI, fixou-se o tipo de anjo. Com exceção dos Serafins de Isaías, que foram sempre o desespero dos desenhistas, posso afirmar que os anjos ostentam corpo, são tanto transparentes quanto visíveis, cujas linhas acusam gênero, são eternos, são varões, revestidos de vestes longas, são másculos, suas vestes caem majestosamente. Podem andar como flutuar, mover-se de forma lenta quanto em velocidade altíssima.
QUEM SÃO OS ANJOS?
Santo Agostinho diz a respeito deles: “Angelus officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen huius naturae, spiritus est; quaeris officium, ângelus est; quaeris officium, ângelus est, ex eo quod est, spiritus est, ex eo quod agit, ângelus – Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz”. Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam “constantemente a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10), são “poderosos executores de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra” (Sl 1030).
Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória.
CRISTO “COM TODOS OS SEUS ANJOS”
Cristo é o centro do mundo angélico. São seus os anjos: “Quando o Filho do homem vier em sua glória com todos os seus anjos…” (Mt 25,31). São seus porque foram criados por e para Ele: “Pois foi nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Principados, Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1,16). São seus mais ainda, porque Ele os fez mensageiros de seu projeto de salvação. “Porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?” (Hb 1,14).
Eles estão aí desde a criação e ao longo de toda a História da Salvação, anunciando de longe ou de perto esta salvação e servindo ao desígnio divino de sua realização: fecham o paraíso terrestre, protegem Lot, salvam Agar e seu filho, seguram a mão de Abraão, comunicam a lei por seu ministério, conduzem o povo de Deus, anunciam nascimentos e vocações, assistem os profetas, pra citarmos apenas alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus.
Desde a Encarnação até a Ascenção, a vida do Verbo Encarnado é cercada da adoração e do serviço dos anjos. Quando Deus “introduziu o Primogênito no mundo, disse: ‘Adorem-no todos os anjos de Deus’” … (Lc 2,14). Protegem a infância de Jesus, servem a Jesus no deserto, reconfortam-no na agonia, embora tivesse podido ter sido salvo por eles da mão dos inimigos, como outrora fora Israel. São ainda os anjos que “evangelizam, anunciando a Boa Nova da Encarnação e da Ressurreição de Cristo”. Estarão presentes no retorno de Cristo, que eles anunciam a serviço do juízo que o próprio Cristo pronunciará.
ANJOS NA VIDA DA IGREJA
Do mesmo modo, a vida da Igreja se beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos. Em sua Liturgia, a Igreja se associa aos anjos para adorar o Deus três vezes Santo; ela invoca a sua assistência (assim em In Paradissum deducant te Angeli…- Para o Paraíso te levem os anjos, da Liturgia dos defuntos, ou ainda no “hino querubínico” da Liturgia bizantina) Além disso, festeja mais particularmente a memória de certos anjos (S. Miguel, S. Gabriel, S. Rafael, os anjos da guarda).
ANOS DA GUARDA
Desde o início até a morte, a vida humana é cercada por sua proteção e por sua intercessão. “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida. Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.
ORAÇÃO DO ANJO
Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém!
