Teologia do Êxodo

TEOLOGIA DO ÊXODO


Sob os fatos da história e as narrativas de uma experiência de escravidão e de libertação, um povo escolhido pelo Senhor se vê a passar por uma experiência salvífica, recordada na Bíblia em ‘ Dt ‘ – ‘ Gn ‘ – ‘ Num ‘ – ‘ Eclo ‘. Essa experiência foi:

Iniciada por ‘Abraão’:

Quando na entrada de Hebreus e seminômades no Egito. Como prisioneiros de guerra, saques e invasões militares em território egípcio; nas duras condições de vida e trabalhos forçados.

Vivida por ‘Moisés’:

Que foi um Líder, Libertador ou simplesmente “Profeta”, cujos textos bíblicos podem ser encontrados em ‘Dt’. Moisés é enviado pelo Senhor para liderar a libertação do povo de Deus e de conduzi-lo à terra prometida. Uma fuga? Talvez. Opinião mais aceitável pelos estudiosos, do que mais precisamente uma permissão do Faraó. A revelação do nome de Deus (YaHWeH) aos Beduínos, também, pode ter contribuído para essa libertação, pois, foi aceita pelos israelitas, como um culto agradável ao Senhor.

Na Liderança de Josué:

Período em que as tribos de Israel reconhecem a soberania de Deus, abandonando os seus ídolos e acolhendo ‘YaHWeH’ como um ‘Deus UM’. Fato, este, que ocorreu na confederação das tribos de Israel ou Assembleia de Siquém.

Essa experiência de libertação também se deu:

Recordada pelos profetas: ‘ Os ‘ – ‘ Jr ‘.

Revivida por Jesus: ‘ evangelhos ‘ – ( Mc – Mt – Lc – Jo ).

Apontada como caminho a seus seguidores: ‘ Ap ‘ .

Configurando uma linha do tempo, podemos notar que a experiência do êxodo ficou marcada por autênticos escritos bíblicos que surgiram ao longo de períodos e acontecimentos.

No período de Moisés: não foram encontrados escritos bíblicos, porém, há indícios no salmo 104 – literatura sapiencial – Gn 1; Jó; Gn 12-50; 1 Cr 1-2; Eclo 44; Ex 1-18; Nm 9-14;20-25; Eclo 45.

Deus ouve o clamor dos oprimidos: Ex 2,24-25; Deus ouviu as queixas deles e lembrou-se da Aliança que fizera com Abraão, Isaac e Jacó. Deus viu a condição dos filhos de Israel e a levou em consideração.

No Reino de Judá: Temos o Livro do Profeta Jeremias – Jr 30,1 – 33,26; exílio da Babilônia. “Dias virão, diz o Senhor, quando hei de mudar o destino de meu povo, Israel e Judá. Farei que voltem para a terra que dei a seus antepassados, e dela sejam proprietários”. (Jr 30,3).

No Reino de Israel: encontramos o Livro do Profeta Amós – Ele diz: “O Senhor ruge em Sião, de Jerusalém faz sair o seu grito! Choram as pastagens dos pastores, seca até o pico do Carmelo”. (Am 1,1-2).

Juízo contra a casa de Israel – (Am 7,1 – 9,10) _ – “ O Senhor me disse: ‘ Que vês Amós ? ‘ – Um prumo, Respondi. E Ele me disse: ‘ Vou nivelar a casa de Israel, meu povo. Não posso mais deixar passar ‘ .

No período Persa: temos o Salmo 78 – salmo de instrução; (vv. 1-2) – “Meu povo, escuta meu ensinamento; presta atenção às palavras da minha boca”. “Vou abrir a boca pronunciando as sentenças, relembrar os mistérios do passado”.

No período Romano: O Livro da Sabedoria: atribuição a Salomão; (Sb 9,7-8.12) – ‘vv. 10-11’ – “Manda-a dos teus sagrados céus e faze que ela venha do teu trono glorioso, para que me acompanhe e trabalhe comigo e eu saiba o que é agradável diante de ti”. “Pois ela tudo conhece e compreende, e me guiará com prudência em meus trabalhos”.

Comunidades Cristãs da Diáspora:

Primeira carta aos coríntios: cristianismo primitivo – Nesta carta encontraram informações e decisões concernentes a diversos problemas cruciais. Ex.: (1 Cor 7,1-10) – matrimônio e a virgindade; v.2 – ‘Entretanto para não cair em imoralidade sexual, tenha cada qual a sua mulher, e cada mulher, o seu marido’.

Comunidades Cristãs e sua organização:

Evangelho de Mateus; João; Livro dos Hebreus e Apocalipse. Cartas Católicas: dirigidas aos cristãos de um modo geral. São elas: Carta de Tiago; as três cartas de João; Carta de Judas; Cartas de Pedro. Ovelhas perdidas de Israel: (Mt 10,6;15,24) v.6 – ‘Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel!’. Capítulo 15,24 – ‘Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel’. (Jo 1,19) – Sinais, milagres de Jesus: (Ap 5,7) – Cristo venceu o acusador, tornando-se Senhor da história. V.7 – ‘Então o cordeiro veio receber o livro, da mão daquele que está sentado no trono’.

Hoje, a teologia do Êxodo tem o mesmo sentido libertador que antes. Ainda vivemos e presenciamos tempos de opressão, tanto física quanto psicológica. O sistema opressor viola direito e liberdade dos mais fracos resultando em comunidades periféricas e favelas. Como aconteceu na época do Êxodo, à medida que os empobrecidos passam a reivindicar os seus direitos, a repressão do poder aumenta proporcionalmente, na esfera jurídica (ágil para os ricos, morosa para os pobres e miseráveis). Ainda estamos na caminhada infinita de um êxodo sem fim, que só terminará com a volta do Rei (Jesus Cristo).

Libertação:

Esta é a palavra chave, o objetivo principal do plano de salvação que Deus atribui a seus servos e a todos os seus filhos. Quero começar esta análise a partir de Noé. Na minha interpretação, todo o processo de salvação de Deus para com a humanidade começou com Noé e sua família. Pois, foi nele que Deus encontrou ‘Fidelidade’. O mesmo processo se repete com os personagens de Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, os profetas, Davi, Maria e Jesus. Toda a humanidade se usufrui da obediência de Noé. Todos os filhos de Deus se comprazem da Liberdade.

 


 

 

 

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